Pôr do sol sobre a praia, com um morro ao lado (imagem ilustrativa)
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A história de Barra Velha: da caça à baleia à capital do pirão

Sambaquis, açorianos, uma emancipação que demorou e uma cidade que dobrou de tamanho em doze anos.

A história de Barra Velha é mais antiga do que a cidade. Segundo o historiador José Carlos Fagundes, ouvido pelo NSC Total, ela começa há cerca de 5 mil anos, quando grupos de caçadores, pescadores e coletores, conhecidos como sambaquieiros, se fixaram na região. Mais tarde, o território foi ocupado por grupos de tradição guarani.

A porta de entrada do Peabiru

Por volta do século 16, Barra Velha passou a ser porta de entrada de expedições rumo ao interior do continente. O Peabiru, caminho indígena que começava na foz do rio Itapocu, levou o espanhol Álvar Núñez Cabeza de Vaca ao Paraguai em 1542, segundo o mesmo relato.

Vicentistas, açorianos e a baleia

O povoamento inicial foi fixado por vicentistas, a partir de iniciativas de mineração no rio Itapocu em meados do século 18. Entre 1810 e 1830 chegaram os primeiros descendentes de imigrantes açorianos, que marcaram a demografia e a cultura da cidade. Em 1842, uma parcela expressiva da população já era formada por pessoas escravizadas, e na segunda metade do século 19 se fixaram também alemães e italianos.

Segundo o histórico do IBGE, foi a caça à baleia que motivou o povoamento. No começo do século 19, o português Joaquim Alves da Silva, que morava na Armação de Itapocoroy, recebeu do governo uma grande área de terras em Barra Velha, em reconhecimento pelo óleo de baleia usado na iluminação pública. O povoado cresceu devagar.

Uma emancipação com idas e vindas

O município pertenceu a Araquari. Conseguiu autonomia em 1956, mas a lei foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal. Voltou a ser município pela Lei estadual nº 778, de 7 de dezembro de 1961, e foi instalado em 30 de dezembro do mesmo ano, segundo o IBGE. O distrito de Barra Velha havia sido criado em 1861.

O nome sugere uma antiga saída do rio Itapocu para o mar, que teria mudado de lugar ao longo do tempo e deixou a lagoa que caracteriza a cidade, segundo estudo publicado na revista Acta Biológica Catarinense, da Univille.

O legado açoriano

A herança aparece no comércio de peixe na beira da praia, na cultura da banana, na gastronomia e nas festividades, como a Festa Nacional do Pirão, que celebra a iguaria, segundo o NSC Total.

A cidade que dobrou de tamanho

Barra Velha tinha 22.386 moradores em 2010 e 45.369 no Censo 2022, com estimativa de 52.860 em 2025, segundo o IBGE. Abriga o centro de distribuição da Havan e é uma das cidades que mais crescem em Santa Catarina.

Minha leitura

Poucos lugares reúnem, em tão poucos quilômetros, sambaquis, uma rota indígena que ligava o mar ao Paraguai, uma armação baleeira e um centro logístico que abastece o país. Barra Velha tem camadas, e conhecer a história ajuda a entender a cidade que está sendo construída hoje.

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