Alargamento da praia de Piçarras: o que muda para quem tem ou quer comprar um imóvel
A obra na orla e o que ela representa para a cidade e para os valores.
A obra de alargamento da Praia Central de Balneário Piçarras foi concluída em 10 de abril de 2026, e o último trecho, de 530 metros, foi liberado ao público em 16 de abril. Em 75 dias, contados a partir de 23 de janeiro, a draga Amazone depositou mais de 493 mil metros cúbicos de areia ao longo de 2,43 quilômetros de orla e acrescentou, em média, cerca de 30 metros à faixa de areia, segundo a prefeitura e o portal ND Mais.
Os números da obra
O projeto previa cerca de 2 quilômetros. Depois de estudos do Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH), que apontaram maior tendência de erosão no setor norte da praia, a prefeitura ampliou o trecho em aproximadamente 430 metros, com investimento adicional de cerca de R$ 9,57 milhões, segundo o Jornal JC.
Sobre o custo, as cifras divulgadas variam conforme o que se soma. O contrato inicial foi de R$ 38,2 milhões. Somado à ampliação, o Jornal JC informa R$ 47,85 milhões, e outros veículos falam em mais de R$ 50 milhões e mais de R$ 53 milhões. Os recursos vêm do Fundo de Manutenção da Praia (Fumpra) e de verbas do município.
Durante a execução, a draga transportou cerca de 6 mil metros cúbicos de areia por ciclo, com até quatro operações por dia.
Por que a obra existe
O alargamento é uma resposta à erosão. Segundo a prefeitura, citada pela Gazeta do Povo, esta foi a quarta intervenção desse tipo em 27 anos. A de 1998 foi apenas um aterro, sem elementos de contenção, e durou pouco. A de 2008 incluiu molhes de pedra. A de 2012 foi de manutenção, e a erosão voltou. O objetivo agora é criar uma barreira contra o avanço do mar e as ressacas e ampliar o espaço para banhistas.
O que pode mudar para o mercado
A Vetter, incorporadora com forte presença na região, aplicou ao caso uma metodologia internacional do Appraisal Institute e chegou a uma valorização estimada de cerca de 37% para imóveis próximos à orla. Em alguns pontos, a faixa de areia passou de 12,5 para 42,5 metros, segundo a Revista Portuária. A reportagem do Portas que divulgou o número faz a ressalva necessária: é uma aplicação teórica, e a valorização efetiva dependerá da execução urbana, da liquidez dos imóveis e do comportamento da demanda depois da obra.
Há também um efeito de vitrine. Em março de 2026, a prefeitura retirou preventivamente as bandeiras da Bandeira Azul de três praias por causa das obras, e em julho as quatro candidaturas da cidade foram recomendadas pelo júri nacional para a temporada 2026/2027, segundo o Estado de Minas. A decisão final cabe ao júri internacional.
Na minha leitura
A obra é um fator real de valor, porque protege o patrimônio de quem tem imóvel perto do mar e melhora o uso da orla. Mas o histórico de 1998, 2008 e 2012 mostra que praia alargada exige manutenção, e é isso que eu acompanharia: monitoramento da erosão, orçamento e cronograma de reposição de areia. Para quem quer comprar, o cuidado é comparar os preços de hoje, que já embutem parte da notícia, com o que o imóvel oferece independentemente da obra.
O Arc Select reúne oportunidades selecionadas da região, para quem quer comparar com calma.
Fontes consultadas
- ND Mais: Megaobra de alargamento de Balneário Piçarras é liberada para banhistas (16/04/2026)
- Jornal JC: Obra de alargamento de 2,4 km da Praia Central de Balneário Piçarras é concluída (10/04/2026)
- Jornal JC: Obra de alargamento será ampliada em mais 400 metros (20/03/2026)
- Gazeta do Povo: Alargamento de praia de R$ 38,2 milhões aposta na valorização imobiliária no litoral de SC
- Portas: Alargamento de praia pode valorizar imóveis de Piçarras em 40% (22/07/2026)
- Revista Portuária: Alargamento da praia pode valorizar imóveis em quase 40% em Balneário Piçarras
- Estado de Minas, Em Foco: Balneário Piçarras e a Bandeira Azul
